Elitização dos estádios: o preconceito

Este é um tema que será abordado de forma ampla e profunda aqui no blog. Por alguns fatores, como o tempo para escrever e outras prioridades, ainda não tinha iniciado a discussão. Mas essa última decisão que a diretoria do Palmeiras tomou, de manter os preços dos ingressos de arquibancadas do Palestra Itália iguais aos praticados nas finais do Campeonato Paulista, me deu a motivação necessária para iniciar o tratamento do assunto.

O processo de elitização dos estádios já está sendo implementado pelos dirigentes de nosso futebol, através de preços de ingressos incompatíveis com a renda da grande maioria da população. Lutar contra isso é o que faremos aqui. E essa é uma luta não apenas da torcida palmeirense (que está sendo a cobaia de todo esse processo), mas também de todas as outras torcidas do estado de São Paulo e do Brasil, que muito provavelmente se tornarão as próximas vítimas.

 

Preconceito

“A fase do time é boa e agora teremos só duas partidas por mês no nosso estádio. Além disso, é uma forma de selecionar mais o público. Se houver protestos, a gente volta ao valor que era antes.”

Essa frase é de Ebem Gualtieri, vice-presidente do Palmeiras, em matéria do Estadão. Sob a ótica dele, uma pessoa rica tem mais qualidades do que uma pessoa pobre. Pré conceito puro. Como se políticos corruptos fossem pobres que moram em favelas. Como se alguns empresários que praticam crimes fiscais e trabalhistas em suas empresas não fossem de classe média-alta. Como se os “pitboys” que brigam em casas noturnas fossem favelados. Três exemplos básicos só para mostrar a falta de nexo desse tipo de pensamento.

E a revolta é tanta que diversos veículos da Mídia Palestrina escreveram sobre o assunto. Vou deixar aqui algumas passagens de posts e seus respectivos links para uma leitura completa:

Vergonha“, no Observatório Verde:

Nossa vergonha é ter um dirigente com um discurso que mais parece o do outro lado do muro. Excludente, classista, como se quem tivesse mais, valesse mais. Não dá para saber se a formulação de Gualtieri foi exatamente essa, mas a frase “um público diferente daquele que entrou em conflito com a Polícia Militar, na luta por um ingresso para a final do Paulistão contra a Ponte Preta” é para fazer o mundo acreditar que os problemas aconteceram porque tinha muito pobre na fila?

Sobre os ingressos: lá vem o gestor“, no Terceira Via Verdão:

Não se fala: “se houver protestos a gente volta ao valor que era antes”. Isso constrange àqueles que dentro do Palmeiras se esforçam em fazer as coisas com um mínimo de planejamento. E o ato falho do Vice-Presidente é claro: ninguém planejou nada. Alguém teve uma descarga (para não usar outra palavra) cerebral, e aumentou os preços.

Um descalabro“, no Parmerista!:

As declarações de Gualtieri comentando a majoração são risíveis. “É um teste”. Vacilante, de antemão já admite recuar “caso haja protestos”. E assim, praticamente convocou uma manifestação em volta do Palestra. Elitista, disse que tambem intenta trazer um “público diferente” ao estádio. Só faltou dar desconto pra quem estiver com a camisa do São Paulo.

Sr. Ebem, se o senhor quer acabar com os abusos na meia entrada, então cumpra o seu dever. Apure como centenas de lotes de meia-entrada vão parar nas mãos dos cambistas, que revendem a valor de inteira. Promova uma fiscalização eficiente nas catracas de meia-entrada. Os estudantes e aposentados têm direito de pagar preços compatíveis com suas rendas. E isso passa longe de R$20,00.

Vergonha!“, no Forza Palestra:

E aí chegamos à presente situação, em que o Palmeiras deixará de contar com o apoio maciço de sua torcida justamente contra o Internacional/RS, rival tradicional, historicamente difícil de ser batido e nosso provável maior concorrente ao título brasileiro deste ano.

É boicote“, no Cruz de Savóia:

BOICOTE! NÃO DEIXE TRANSFORMAREM NOSSA TORCIDA NESSA PÉROLA ELITISTA QUE NUNCA FOMOS! É BOICOTE! NÃO VÁ AO JOGO DO PALMEIRAS!

BOICOTE! ESSA DIRETORIA ESTÁ JUSTIFICANDO AS PORRADAS QUE A PM DISTRIBUIU EM 04/05/2008 – E TALVEZ TENHA FACILITADO O TRABALHO DELES…

BOICOTE! O TORCEDOR JÁ FOI ROUBADO POR ESSA GENTE VENDIDA QUE DISTRIBUI INGRESSO AOS CAMBISTAS NA CALADA DA NOITE: E VOCÊ NÃO FEZ NADA!

E a dica foi dada pelo próprio Ebem Gualtieri. Protesto é o que não vai faltar, seja na Mídia Palestrina, na frente do estádio ou em forma de boicote.

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7 respostas para “Elitização dos estádios: o preconceito

  • Alexandre

    Os marqueteiros esportivos alegam que a elitização deve ser um objetivo dos clubes porque uma torcida de maior poder aquisitivo pode gastar mais. Não se restringe apenas a pagar o ingresso, mas consome outros produtos dentro do estádio (comidas e bebidas) e fora dele (uniformes e brindes que podem ir desde um simples chaveirinho até relógios, celulares etc).

    Os mais ricos podem ainda assinar revistas ou canais pagos dedicados ao seu clube. Aos pobres, resta o consolo de escutar o jogo pelo radinho e ver os gols nos programas esportivos da televisão.

    Hoje, uma pessoa que vá a uma partida de futebol com um filho, gasta R$ 60,00 só com ingresso básico. Se tomar cerveja(s), refrigerante(s) e comer qualquer coisa, acaba gastando R$ 80,00, estacionamento R$20,00(já que o novo torcedor não anda de ônibus e tem seu carro próprio).

    Se for a dois ou três jogos em um mês, terá gasto cerca de R$ 200,00 ou R$ 400,00 por mês. Em um ano, serão entre R$ 2,4 mil e R$ 5 mil. Então, precisa elitizar ainda mais?

  • Como espantar o torcedor « Palmeiras Let’s Gol !

    […] preços colocando a arquibancada a R$40,00, e falou abertamente que era uma tentativa de ’selecionar‘ o público das […]

  • Contando os prejuízos « Palmeiras Let’s Gol !

    […] não tivesse a brilhante idéia de elevar os preços dos ingressos (com base em argumentos preconceituosos e elitistas) para valores fora da realidade do torcedor brasileiro, poderíamos ter a seguinte […]

  • Rafael Let's Gol!

    O numerado caiu muito bem pra ele.

    E aproveitando que você lembrou, li novamente todos os tipos descritos lá. Me identifiquei com o Felipinho! rsrs

  • Rafael Evangelista

    Fala, Xará!

    Há um tempo atrás, lá no OV, a gente escreveu uma série sobre tipos de palmeirenses. Um pouco de auto-ironia é bom. Pois esse Gualtieri é um numerado: http://www.observatorioverde.net/2007/05/09/a-etica-palestrina-e-o-espirito-do-parmeirismo-vi/

  • Barneschi

    É por aí. PRecisamos lutar contra a elitização e contra o fim do Palmeiras tal como conhecemos. Chega de agüentar isso tudo!

  • Coruja

    Muito bom, amigo. O Palmeiras foi sempre pioneiro em sua história, em todas as frentes de batalha. E, se essa for uma “agenda” para mostrar para o mundo na Copa de 2014 um Brasil que não existe, nas arquibancadas, então seremos os primeiros a berrar e lutar contra esse movimento nazista. Conte comigo.

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