Após quatro partidas pelo Campeonato Brasileiro, o ambiente que tinha tudo para ser o melhor possível após o título paulista, numa comunhão de time e torcida em busca do título do Campeonato Brasileiro, o mais importante do ano, está sendo destruído, graças as últimas decisões da diretoria que envolvem diretamente a torcida que comparece ao estádio.

Palestra Itália num dia de pouco público
Vamos tomar como exemplo o jogo de ontem: Palmeiras x Atlético-PR, no estádio Palestra Itália.
A jornada do torcedor já começa com um obstáculo bastante inconveniente, que é o horário do jogo: 18h10min em pleno domingo.
Para quem não mora perto do estádio, o jogo se torna praticamente a última coisa que se fará no dia, já que terminará por volta das 20h. Para retornar até sua casa, esse torcedor levará 1 hora ou mais no percurso, de acordo com a distância. Como o torcedor que comparece, provavelmente trabalha ou estuda no dia seguinte, para poder pagar os preços aburdos dos ingressos, normalmente terá de acordar cedinho no dia seguinte. Então a única saída é chegar em casa e cair na cama. Além disso, é muito melhor assistir o jogo com luz natural, em que comumente temos o bom e velho sol para esquentar a tarde (é claro que ontem não foi o caso).
E não bastasse os clubes se sujeitarem a esses horários criminosos que a televisão impõe, agora estamos em frente a uma barreira difícil de transpor: o preço abusivo (e burro) das entradas, onde uma arquibancada custa 30 reais, uma das mais caras do país. E é claro que a torcida protestou mais uma vez.
Nem é preciso explicar o porque de ser um preço ‘burro’, basta reparar nos públicos das três partidas que ocorreram na cidade de São Paulo durante o campeonato:
- contra o Inter/RS, onde compareceram 10.000 pessoas. A diretoria extrapolou nos preços colocando a arquibancada a R$40,00, e falou abertamente que era uma tentativa de ’selecionar‘ o público das partidas.
- no Pacaembu, contra a Portuguesa, onde foi divulgado um público pagante de pouco mais de 6.000 pessoas. Só que como houve a ‘quebra’ de algumas catracas, ’não conseguiram’ contar corretamente. Então, pelo visual, podemos estimar o público em mais ou menos 10.000 torcedores.
- o terceiro e último jogo na capital foi o de ontem, e é claro que não podemos ignorar que o frio e a chuva que dominou o fim de semana espantaram o torcedor. Mas se o dia estivesse aberto, com esses preços não acho que passaria dos 15.000 pagantes, o que seria muito pouco se compararmos a qualidades dos times desse ano e o do ano passado, que frequentemente levava mais de 23.000 pessoas ao Palestra.
Eu tenho uma opinião, da qual muitos concordam, de que uma torcida de futebol é muito mais do que simples expectadores que observam a partida. A ajuda que ela dá não é somente com a grana da renda. Um estádio lotado cria um clima totalmente diferente. Uma torcida que canta alto motiva os jogadores e abafa alguns (não são todos) chatos da numerada (e alguns da própria arquibancada) que só sabem criticar e vaiar, o que deixa os jogadores inseguros. Será que num Pacaembu lotado e empurrando o time para a vitória, os jogadores seriam tão displicentes quanto foram no jogo contra a Portuguesa?

O Palestra como deve ser
É por tudo isso, que são inadmissíveis os públicos dos últimos jogos do Palmeiras. É obrigação da diretoria propiciar as situações adequadas para que a torcida lote o estádio em todos os jogos. Mas parece que isso é pedir muito, então que pelo menos revejam essa política de preços, que está prejudicando o clube no que se refere às rendas dos jogos.