Palmeiras, Let's Gol !

mais que um sentimento

Arquivo da categoria ‘Não à elitização’

O público de trinta reais

Publicado por Rafael em 13 Jun 2008

texto do blog Forza Palestra [ forzapalestra.blogspot.com ]

“Caros” diretores da S.E. Palmeiras,

Tivemos 6.272 pagantes em um Palmeiras x Cruzeiro. Foram oito torcedores a mais do que no jogo anterior, o 1 x 0 contra a Brisa/PR. Descontada a evasão de renda, foi parecido também o borderô de Portuguesa 1 x 1 Palmeiras, no Pacaembu. E pouco antes, no reencontro com a torcida após o título paulista, ficamos na casa dos 10 mil contra o Internacional/RS.

Jogos complicados e provavelmente decisivos. Mereciam mais gente.

Não sei se vocês já tomaram consciência, mas é este o público de R$ 30. É este o torcedor qualificado que vocês querem. E, a bem da verdade, a tal platéia selecionada nem deu as caras. Ontem, a exemplo do que acontecera contra a Brisa/PR, tudo o que tínhamos era uma grande concentração no setor da Mancha, e quase mais nada.

Somos, sinto dizer, os mesmos de antes. Somos os vândalos, marginais e arruaceiros, aquele povo que vocês querem ver longe dos estádios. Somos – também – aquele povo feio que vem de Metrô, e que insiste em superar qualquer desafio para ver o time em campo.

Acontece, “caros” diretores, que é esta a gente que ama o Palmeiras e o futebol. É este o público que estará sempre presente, ainda que em doses homeopáticas se for mantido o preço de R$ 30.

O público qualificado tem mais o que fazer. São Paulo, como se sabe, é uma cidade com atrações aos montes, um pouco mais à noite e em pleno Dia dos Namorados. E o público qualificado não gosta muito de tomar chuva ou de chegar em casa tarde da noite. Tampouco de ir ao estádio no domingo às 18h10 para colocar a bunda no cimento molhado e passar frio.

O público qualificado, isto é certo, vai dar as caras nas rodadas finais, desde que o time tenha chances de brigar pelo título. Porque então tudo muda de figura, e o que era um simples jogo de futebol ganha um caráter de espetáculo, de atração, de evento midiático. É o que deseja o tal público qualificado.

Até lá, “caros” diretores, temos mais 32 longas e extenuantes rodadas. E, sinto dizer, vocês terão de agüentar a horda de sempre, que se vê obrigada a pagar R$ 30 para sustentar a ganância de alguns poucos.

Vocês conseguiram reduzir a nossa média de público de 20 mil para 7 mil em muito pouco tempo. Reverter isso não é nada complicado; basta querer. No entanto, se insistirem no erro, terão de conviver com o estádio vazio, a um ticket médio de R$ 30.

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Como espantar o torcedor

Publicado por Rafael em 2 Jun 2008

Após quatro partidas pelo Campeonato Brasileiro, o ambiente que tinha tudo para ser o melhor possível após o título paulista, numa comunhão de time e torcida em busca do título do Campeonato Brasileiro, o mais importante do ano, está sendo destruído, graças as últimas decisões da diretoria que envolvem diretamente a torcida que comparece ao estádio.


Palestra Itália num dia de pouco público

Vamos tomar como exemplo o jogo de ontem: Palmeiras x Atlético-PR, no estádio Palestra Itália.

A jornada do torcedor já começa com um obstáculo bastante inconveniente, que é o horário do jogo: 18h10min em pleno domingo.

Para quem não mora perto do estádio, o jogo se torna praticamente a última coisa que se fará no dia, já que terminará por volta das 20h. Para retornar até sua casa, esse torcedor levará 1 hora ou mais no percurso, de acordo com a distância. Como o torcedor que comparece, provavelmente trabalha ou estuda no dia seguinte, para poder pagar os preços aburdos dos ingressos, normalmente terá de acordar cedinho no dia seguinte. Então a única saída é chegar em casa e cair na cama. Além disso, é muito melhor assistir o jogo com luz natural, em que comumente temos o bom e velho sol para esquentar a tarde (é claro que ontem não foi o caso).

E não bastasse os clubes se sujeitarem a esses horários criminosos que a televisão impõe, agora estamos em frente a uma barreira difícil de transpor: o preço abusivo (e burro) das entradas, onde uma arquibancada custa 30 reais, uma das mais caras do país. E é claro que a torcida protestou mais uma vez.

Nem é preciso explicar o porque de ser um preço ‘burro’, basta reparar nos públicos das três partidas que ocorreram na cidade de São Paulo durante o campeonato:

  • contra o Inter/RS, onde compareceram 10.000 pessoas. A diretoria extrapolou nos preços colocando a arquibancada a R$40,00, e falou abertamente que era uma tentativa de ’selecionar‘ o público das partidas.
  • no Pacaembu, contra a Portuguesa, onde foi divulgado um público pagante de pouco mais de 6.000 pessoas. Só que como houve a ‘quebra’ de algumas catracas, ’não conseguiram’ contar corretamente. Então, pelo visual, podemos estimar o público em mais ou menos 10.000 torcedores.
  • o terceiro e último jogo na capital foi o de ontem, e é claro que não podemos ignorar que o frio e a chuva que dominou o fim de semana espantaram o torcedor. Mas se o dia estivesse aberto, com esses preços não acho que passaria dos 15.000 pagantes, o que seria muito pouco se compararmos a qualidades dos times desse ano e o do ano passado, que frequentemente levava mais de 23.000 pessoas ao Palestra.

Eu tenho uma opinião, da qual muitos concordam, de que uma torcida de futebol é muito mais do que simples expectadores que observam a partida. A ajuda que ela dá não é somente com a grana da renda. Um estádio lotado cria um clima totalmente diferente. Uma torcida que canta alto motiva os jogadores e abafa alguns (não são todos) chatos da numerada (e alguns da própria arquibancada) que só sabem criticar e vaiar, o que deixa os jogadores inseguros. Será que num Pacaembu lotado e empurrando o time para a vitória, os jogadores seriam tão displicentes quanto foram no jogo contra a Portuguesa?


O Palestra como deve ser

É por tudo isso, que são inadmissíveis os públicos dos últimos jogos do Palmeiras. É obrigação da diretoria propiciar as situações adequadas para que a torcida lote o estádio em todos os jogos. Mas parece que isso é pedir muito, então que pelo menos revejam essa política de preços, que está prejudicando o clube no que se refere às rendas dos jogos.

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Contando os prejuízos

Publicado por Rafael em 18 Mai 2008

Veja a ficha técnica de Palmeiras 2×1 Internacional:

Local: Estádio Palestra Itália, São Paulo (SP)
Data: 18 de maio de 2008 (domingo)
Renda: R$ 377.412,00
Público: 10.081 pagantes

O prejuízo financeiro

Fazendo uma continha simples, chegamos a renda média por torcedor que compareceu no jogo de hoje: R$37,44. Caso o senhor Ebem Gualtieri não tivesse a brilhante idéia de elevar os preços dos ingressos (com base em argumentos preconceituosos e elitistas) para valores fora da realidade do torcedor brasileiro, poderíamos ter a seguinte situação:

Com preços iguais aos de 2007, a metade do valor atual, o Palestra Itália se entupiria de gente. Então, multiplicando as 27.685 entradas colocadas à venda, pela metade da renda média por torcedor, chegaríamos a uma renda total de R$ 518.263,20. Seriam quase 141 mil reais a mais na renda do jogo!

É claro que com um público maior, a proporção de ocupação dos diversos setores do estádio seria diferente, resultando em algumas diferenças nos valores. Mas para o que estamos mostrando aqui, isso não se faz relevante.

 

O prejuízo ao espetáculo

Acima das cifras perdidas, está todo um prejuízo causado à torcida e a diferença que ela faz ao espetáculo quando comparece em massa. Ao acompanhar os melhores momentos do jogo, ficou a sensação de um jogo morno, sem a empolgação e o clima que uma partida dessas deveria ter.

 

Se manda, Ebem Gualtieri!

Com tudo isso que aconteceu, fica claro que Ebem Gualtieri não tem as mínimas condições de cuidar desse importante assunto no clube, que são os ingressos para os jogos. A atual diretoria do Palmeiras, que vem fazendo um ótimo trabalho, deve assumir esta responsabilidade e tirar todos os poderes que essa pessoa possuí. O tratamento ao torcedor deve se tornar uma prioridade para o clube, pois é a torcida que faz o clube ser o que é. E ter o estádio sempre lotado deve se tornar um objetivo tão grande quanto conquistar títulos.

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Elitização dos estádios: o preconceito

Publicado por Rafael em 14 Mai 2008

Este é um tema que será abordado de forma ampla e profunda aqui no blog. Por alguns fatores, como o tempo para escrever e outras prioridades, ainda não tinha iniciado a discussão. Mas essa última decisão que a diretoria do Palmeiras tomou, de manter os preços dos ingressos de arquibancadas do Palestra Itália iguais aos praticados nas finais do Campeonato Paulista, me deu a motivação necessária para iniciar o tratamento do assunto.

O processo de elitização dos estádios já está sendo implementado pelos dirigentes de nosso futebol, através de preços de ingressos incompatíveis com a renda da grande maioria da população. Lutar contra isso é o que faremos aqui. E essa é uma luta não apenas da torcida palmeirense (que está sendo a cobaia de todo esse processo), mas também de todas as outras torcidas do estado de São Paulo e do Brasil, que muito provavelmente se tornarão as próximas vítimas.

 

Preconceito

“A fase do time é boa e agora teremos só duas partidas por mês no nosso estádio. Além disso, é uma forma de selecionar mais o público. Se houver protestos, a gente volta ao valor que era antes.”

Essa frase é de Ebem Gualtieri, vice-presidente do Palmeiras, em matéria do Estadão. Sob a ótica dele, uma pessoa rica tem mais qualidades do que uma pessoa pobre. Pré conceito puro. Como se políticos corruptos fossem pobres que moram em favelas. Como se alguns empresários que praticam crimes fiscais e trabalhistas em suas empresas não fossem de classe média-alta. Como se os “pitboys” que brigam em casas noturnas fossem favelados. Três exemplos básicos só para mostrar a falta de nexo desse tipo de pensamento.

E a revolta é tanta que diversos veículos da Mídia Palestrina escreveram sobre o assunto. Vou deixar aqui algumas passagens de posts e seus respectivos links para uma leitura completa:

Vergonha“, no Observatório Verde:

Nossa vergonha é ter um dirigente com um discurso que mais parece o do outro lado do muro. Excludente, classista, como se quem tivesse mais, valesse mais. Não dá para saber se a formulação de Gualtieri foi exatamente essa, mas a frase “um público diferente daquele que entrou em conflito com a Polícia Militar, na luta por um ingresso para a final do Paulistão contra a Ponte Preta” é para fazer o mundo acreditar que os problemas aconteceram porque tinha muito pobre na fila?

Sobre os ingressos: lá vem o gestor“, no Terceira Via Verdão:

Não se fala: “se houver protestos a gente volta ao valor que era antes”. Isso constrange àqueles que dentro do Palmeiras se esforçam em fazer as coisas com um mínimo de planejamento. E o ato falho do Vice-Presidente é claro: ninguém planejou nada. Alguém teve uma descarga (para não usar outra palavra) cerebral, e aumentou os preços.

Um descalabro“, no Parmerista!:

As declarações de Gualtieri comentando a majoração são risíveis. “É um teste”. Vacilante, de antemão já admite recuar “caso haja protestos”. E assim, praticamente convocou uma manifestação em volta do Palestra. Elitista, disse que tambem intenta trazer um “público diferente” ao estádio. Só faltou dar desconto pra quem estiver com a camisa do São Paulo.

Sr. Ebem, se o senhor quer acabar com os abusos na meia entrada, então cumpra o seu dever. Apure como centenas de lotes de meia-entrada vão parar nas mãos dos cambistas, que revendem a valor de inteira. Promova uma fiscalização eficiente nas catracas de meia-entrada. Os estudantes e aposentados têm direito de pagar preços compatíveis com suas rendas. E isso passa longe de R$20,00.

Vergonha!“, no Forza Palestra:

E aí chegamos à presente situação, em que o Palmeiras deixará de contar com o apoio maciço de sua torcida justamente contra o Internacional/RS, rival tradicional, historicamente difícil de ser batido e nosso provável maior concorrente ao título brasileiro deste ano.

É boicote“, no Cruz de Savóia:

BOICOTE! NÃO DEIXE TRANSFORMAREM NOSSA TORCIDA NESSA PÉROLA ELITISTA QUE NUNCA FOMOS! É BOICOTE! NÃO VÁ AO JOGO DO PALMEIRAS!

BOICOTE! ESSA DIRETORIA ESTÁ JUSTIFICANDO AS PORRADAS QUE A PM DISTRIBUIU EM 04/05/2008 – E TALVEZ TENHA FACILITADO O TRABALHO DELES…

BOICOTE! O TORCEDOR JÁ FOI ROUBADO POR ESSA GENTE VENDIDA QUE DISTRIBUI INGRESSO AOS CAMBISTAS NA CALADA DA NOITE: E VOCÊ NÃO FEZ NADA!

E a dica foi dada pelo próprio Ebem Gualtieri. Protesto é o que não vai faltar, seja na Mídia Palestrina, na frente do estádio ou em forma de boicote.

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